"Se Viviane Cabrera, em suas confissões coletivas de um povo – um zeitgeist    – dentro de si, evita o verso metrificado, é porque seu confessionalismo não se presta a ciências exatas. E se cultiva a rima, é porque acredita no ritmo, que, de resto, segue à risca os preceitos do bom selvagem, que respira extensivamente nos campos de seus rocks rurais. Aliás, Cabrera, o que faz é, antes de tudo, como os simbolistas, música.

 

Cada poema seu é uma figura musical dessa imensa e vasta partitura que ora chega ao público. E chega do jeito dela, meio torta – assim a autora se confessa, no primeiro poema do livro –, “rasgando-se em verso”, com um tanto de mulheres poetas como referência (Plath, Cecília, Hilda Hilst) e um ouvido apurado responsável por um ritmo cortado por uma grande quantidade de improvisos em compassos por vezes inusitados.

 

O livro de memórias em versos de Viviane Cabrera revolve o terreno lavrado pela mística feminina de Betty Friedman, dando continuidade à desmistificação da mulher mãe, esposa e dona de casa, e revelando o nome do “Problema sem nome” feminino. O eu lírico de Cabrera sente, e muito: desejo, tesão, tristeza, alegria, piedade. E canta e produz poesia de imensa vitalidade, num constante exercício de liberdade que, textual, se mostra inspiradora ou mesmo um estímulo, num processo mimético, à disseminação do mesmo élan libertário que tantas outras mulheres podem adquirir ou dele ser lembradas.

 

E ao fim do passeio, a autora confessa o fim. Bem ao sabor da ousadia tão característica de seu fazer literário, Cabrera insere um “da capo” vertiginoso como o pulo de um trampolim. Um romantismo que não se basta, que não acaba nunca. E não cessa de surpreender".

Memoriamístico

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